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Proteínas e aminoácidos essenciais

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Veganismo e consumo de proteínas

Escrito por: Elessandra Asevedo

O veganismo é um estilo de vida que apoia a exclusão de produtos de origem animal e está aumentando em popularidade no mundo. A dieta vegana é caracterizada pela retirada de carne, peixe, aves, laticínios, ovos e mel, entre outros alimentos de origem animal, do cardápio diário. Com o aumento da popularidade, não é incomum ouvir questionamentos a respeito da adequação de uma dieta vegana em relação à necessidade de ingestão de proteínas e aminoácidos essenciais. Entretanto, apesar de alimentos de origem vegetal serem menos densos em proteínas, por exemplo, as pesquisas mostram que dietas veganas podem fornecer proteínas em quantidades adequadas.

Na esteira dessa polêmica, uma variedade de substitutos de carne e laticínios de origem vegetal têm sido formulada pela indústria alimentícia. A alegação é que são complementos práticos e ricos em proteínas para uma dieta vegana. Contudo, hoje existe um extenso debate sobre a relação entre a ingestão de alimentos ultraprocessados e a saúde geral. Dentro deste contexto, pesquisadores brasileiros se debruçaram sobre o tema.

De acordo com o professor doutor Hamilton Roschel, responsável pelo trabalho desenvolvido na Universidade de São Paulo (USP), a proposta do estudo foi investigar se indivíduos que seguem uma dieta vegana atendem às recomendações de proteínas e aminoácidos essenciais, bem como o nível de processamento destas dietas. O  estudo transversal foi conduzido entre setembro de 2021 e janeiro de 2023, e incluiu uma avaliação dietética de adultos do sexo masculino e feminino adeptos à dieta vegana.

O estudo

O recrutamento foi feito em plataformas de mídia social e incluíam avaliações sociodemográficas e nutricionais, entre outras. Os resultados mostraram que estes indivíduos, em sua maioria, de fato atingiam as recomendações de ingestão de proteínas e aminoácidos essenciais. Ademais, os indivíduos avaliados apresentaram uma ingestão menor de alimentos ultraprocessados ​​em comparação com relatórios anteriores sobre veganos de outras partes do mundo e em comparação à população brasileira em geral.

“É importante ressaltar que os dados apontaram que o consumo de fontes ultraprocessadas de proteína foi associado a uma menor probabilidade de inadequação da ingestão de proteína”, reforça o professor Hamilton Roschel. Entretanto, os pesquisadores destacam que os principais alimentos fonte de proteína consumidos pela população estudada eram a proteína texturizada de soja e suplementos proteicos à base de vegetais.

“Apesar dessa relação inesperada observada no estudo, não é razoável colocarmos na mesma caixinha alimentos igualmente categorizados como ultraprocessados, segundo a classificação vigente, mas com perfis nutricionais absolutamente distintos”, pondera o professor. Em resumo, não é possível assumir uma falsa equivalência em relação à qualidade nutricional da proteína texturizada de soja com um pacote de salgadinhos rico em sal e gordura saturada, por exemplo.

Assim, o papel dos alimentos ultraprocessados ​​em dietas veganas precisa ser mais investigado, visto que fontes comuns de proteína podem não estar associadas aos mesmos resultados prejudiciais à saúde que outros alimentos ultraprocessados. Contudo, o aumento da oferta de produtos ultraprocessados veganos pode reverter este quadro, como apontam os pesquisadores, ressaltando o papel de políticas regulatórias na manufatura de produtos alimentícios em prol da saúde.  O estudo ‘Protein and amino acid adequacy and food consumption by processing level in vegans in Brazil foi publicado no JAMA Network Open em junho de 2024 – doi: 10.1001/jamanetworkopen.2024.18226.

 

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