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Estado de fragilidade dos idosos

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Prebióticos melhoram estado de fragilidade dos idosos

Escrito por: Adenilde Bringel

Estimativas indicam que cerca de 21% da população mundial terá 60 anos ou mais até 2050, mas a crescente proporção de idosos não saudáveis ainda representa um desafio global. Afinal, a idade avançada é um fator de risco para várias enfermidades, incluindo câncer, doenças cardiovasculares e doenças neurodegenerativas. Outro fator preocupante é a fragilidade, que afeta mais de 13,6% dos idosos no mundo. Entretanto, alguns estudos sugerem que as doenças degenerativas relacionadas à idade são influenciadas pela microbiota intestinal. Por isso, pesquisadores chineses avaliaram as mudanças no estado de fragilidade dos idosos após intervenção com uma mistura prebiótica.

O estudo investigou as características biológicas do microbioma intestinal para comparar o estado de fragilidade em idosos antes e depois do uso dessa mistura prebiótica composta de inulina e oligofrutose. Para isso,  o experimento consistiu em três componentes: uma análise observacional com um tamanho amostral de 1.693, uma análise transversal (n = 300) e um estudo multicêntrico, duplo-cego, randomizado e controlado por placebo (n = 200).

A composição corporal, os marcadores bioquímicos, a microbiota intestinal e os metabólitos foram examinados em três grupos de indivíduos mais velhos (não frágeis, pré-frágeis e frágeis). As mudanças nesses indicadores foram reavaliadas após uma intervenção de três meses usando a mistura prebiótica de inulina e oligofrutose para os grupos pré-frágeis e frágeis.

Recrutamento

Do total de 1.693 idosos (>65 anos) recrutados quanto ao estado de fragilidade, 703 estavam no grupo não frágil (N), 705 no grupo pré-frágil (P) e 285 no grupo frágil (F). A prevalência geral de pré-fragilidade foi de 41,6% (53,4% para homens e 33,0% para mulheres), enquanto a prevalência de fragilidade foi de 16,8% (16,7% para homens e 16,9% para mulheres). Além disso, o grau de fragilidade foi positivamente correlacionado com a idade.

“Com o aumento da gravidade da fragilidade, o número de idosos que experimentaram perda de peso e declínio físico aumentou, acompanhado por velocidade de caminhada mais lenta, diminuição da força de preensão e aumento do escore de exaustão, e houve diferenças significativas entre os grupos”, relatam os autores. Entretanto, a alta frequência de exercício físico foi um fator protetor e negativamente correlacionado com a fragilidade.

Resultados

Após 12 semanas de intervenção, a mistura prebiótica melhorou significativamente o estado de fragilidade nos grupos frágil e pré-frágil, reduziu a exaustão no grupo pré-frágil e melhorou a velocidade de caminhada no grupo frágil. Os autores afirmam que o percentual de gordura corporal aumentou significativamente no grupo de tratamento, enquanto a massa muscular diminuiu no grupo controle placebo entre indivíduos idosos pré-frágeis.

Além disso, a velocidade de caminhada e a força de preensão melhoraram no grupo de tratamento, enquanto a gordura corporal aumentou e a porcentagem de umidade diminuiu no grupo controle placebo entre idosos frágeis. Ademais, ureia e creatinina diminuíram, enquanto globulina e proteína total aumentaram substancialmente no grupo de tratamento, assim como γ-glutamiltransferase e bilirrubina indireta aumentaram no grupo controle placebo entre idosos pré-frágeis.

“Em resumo, uma mistura prebiótica pode aumentar significativamente os níveis de proteína em indivíduos mais velhos (frágeis e pré-frágeis), melhorar a função renal (pré-frágil) e reduzir parcialmente os fatores inflamatórios (frágeis)”, asseguram os autores. Os achados mostraram, ainda, que a intervenção com a combinação de prebióticos melhorou significativamente a fragilidade e a função renal entre a população mais velha.

“Os resultados apontaram aumentos notáveis nos níveis de proteína, percentual de gordura corporal, velocidade de caminhada e força de preensão”, acrescentam os autores. Além disso, o uso do prebiótico estimulou uma elevação na contagem de probióticos intestinais e induziu alterações nos níveis de expressão de metabólitos microbianos, bem como nas vias metabólicas correspondentes.

Dessa forma, os resultados sugerem uma ligação potencial entre mudanças na microbiota intestinal e o estado de fragilidade em idosos mais velhos. “Os prebióticos têm o potencial de modificar a microbiota intestinal e o metaboloma, resultando em melhor estado de fragilidade e prevenção de sua ocorrência”, enfatizam os pesquisadores.

Questão preocupante

A síndrome da fragilidade é caracterizada por exaustão, desnutrição crônica, diminuição da atividade física e distúrbios de mobilidade. Resumidamente, essa condição representa o aspecto mais desafiador do envelhecimento populacional, uma vez que aumenta substancialmente o risco de quedas, incapacidade, cuidados de longa permanência e morte. “Além da maior vulnerabilidade e dependência individual, os mecanismos subjacentes à fragilidade incluem inflamação crônica, distúrbios do sistema imunológico e anormalidades do DNA mitocondrial”, ressaltam os autores.

Apesar disso, atualmente faltam medidas eficazes de prevenção e tratamento da fragilidade. Assim, medidas de intervenção incluindo exercícios, suplementação nutricional, tratamento medicamentoso racional, manejo de comorbidades e intervenção psicológica ainda estão sendo exploradas. “A disbiose do microbioma intestinal está ligada ao estado de fragilidade, e as intervenções de misturas prebióticas podem ser uma direção promissora para o tratamento”, argumentam os autores.

Entretanto, estudos futuros são necessários para determinar se outros microrganismos participam do processo de fragilidade e qual terapia combinada com prebióticos pode melhorar ainda mais os resultados. O artigo ‘Prebiotics improve frailty status in community-dwelling older individuals in a double-blind, randomized, controlled trial’ foi publicado em setembro de 2024 no The Journal of Clinical Investigation – doi: https://doi.org/10.1172/JCI176507.

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