A fibrose cística é uma doença genética rara que atinge principalmente os pulmões e o sistema digestivo, embora outras partes do corpo também possam ser afetadas. No Brasil, estimativas do Ministério da Saúde apontam que uma em cada 25 pessoas carregam o gene da doença. Apesar da genética, uma alimentação bem elaborada e o acompanhamento nutricional podem melhorar a qualidade de vida dos pacientes.
Ao contrário da maioria da população, indivíduos com fibrose cística produzem um muco mais espesso do que o normal. Isso pode levar a complicações graves, como inflamações brônquicas e infecções pulmonares, resultando em dificuldades respiratórias. No sistema digestivo, esse muco denso pode comprometer o funcionamento adequado do pâncreas, prejudicando a digestão dos alimentos.
“No pâncreas, o muco acumulado obstrui os canais, prejudicando a liberação de enzimas pancreáticas responsáveis pela digestão. Como consequência, a má digestão pode levar à desnutrição”, explica a nutricionista Dulcineia Rosendo, do Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim” (CEJAM). Assim, a desnutrição e perda de peso afetam diretamente a imunidade, comprometem a musculatura respiratória e causando alterações no crescimento, aumento no risco de morbidades e mortalidade.
Nestes casos, o acompanhamento nutricional envolve a elaboração de um plano dietético com perfil hipercalórico, hiperproteico e hiperlipídico. Isso significa uma dieta rica em calorias, proteínas e gorduras, sempre adaptada e individualizada às necessidades de cada paciente. Indivíduos com fibrose cística correm um alto risco de desenvolver deficiências de vitaminas lipossolúveis, como A, D, E e K. Por isso, a suplementação, aliada ao uso de enzimas pancreáticas, é frequentemente recomendada para garantir a digestão e absorção adequadas dos nutrientes.
Quanto mais balanceada, melhor
A nutricionista Dulcineia Rosendo afirma, ainda, que o acompanhamento nutricional deve ser regular para monitorar a ingestão de sódio e água devido ao risco elevado de desidratação. Além disso, é essencial ajustar a dieta para melhorar a saúde gastrointestinal e aliviar o desconforto associado à condição.
A alimentação deve ser baseada em alimentos minimamente processados, sendo priorizados os frescos e in natura. “É crucial incluir na dieta fontes proteicas de alto valor biológico, como carnes magras, peixes, ovos e laticínios, que são essenciais para a manutenção e recuperação da massa muscular”, orienta.
O consumo de gorduras saudáveis, como abacate, azeite de oliva e oleaginosas, ajuda a equilibrar a ingestão calórica. Os carboidratos complexos encontrados em cereais integrais e frutas são importantes pela riqueza em fibras, vitaminas e minerais, essenciais para o bom funcionamento do metabolismo. Além disso, vegetais de folhas verdes escuras e alimentos de cor alaranjada são excelentes opções para complementar a dieta.
“É importante destacar que cerca de 20% dos adolescentes e 40% dos adultos com fibrose cística acabam desenvolvendo diabetes relacionado à doença, o que pode agravar o estado nutricional, além de elevar as taxas de morbidade e mortalidade”, alerta a especialista. A fibrose cística também pode aumentar o risco de diabetes porque o pâncreas, quando afetado, acaba não produzindo insulina de forma eficaz.
Evite!
Diante desse cenário, pessoas que sofrem com essa doença genética rara devem evitar ao máximo o consumo de alimentos ultraprocessados, ricos em gorduras saturadas, hidrogenadas, açúcares refinados ou adicionados. Entre os exemplos estão refrigerantes, sucos artificiais, doces e chocolates, entre outros. Ademais, é importante evitar o consumo de álcool e o tabagismo.
Microbiota
Diante das comprovações mais recentes sobre o eixo intestino-pulmão, cientistas investigam se o microbioma intestinal teria algum papel benéfico na fibrose cística. Além disso, querem entender se uma intervenção com probióticos poderia ser um adjuvante do tratamento tanto para os pulmões quanto para o sistema gastrointestinal (leia matéria completa sobre o tema em https://revistasupersaudavel.com.br/a-microbiota-intestinal-na-fibrose-cistica/).