A prática regular de exercícios físicos pode contribuir para o sucesso do tratamento de pacientes com câncer. A afirmação é da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), que reforça a importância da prática regular de exercício físico no enfrentamento da doença, pois trata-se de um dos fatores protetores. Pesquisadores em todas as partes do mundo têm estudado também a relação entre a prática regular de exercícios físicos de maneira regular e a redução da mortalidade em casos de câncer.
De acordo com os especialistas, a atividade física deve ser vista como um remédio auxiliar para o tratamento. Portanto, caso o médico não aborde o tema, o paciente deve tomar a iniciativa. A médica oncologista Anelisa Coutinho, presidente da SBOC, afirma que a prática de atividade física é fundamental para o enfrentamento de diversos tipos de tumores. Por isso, é importante chamar a atenção da população e dos profissionais da saúde sobre o impacto dessa ação na prevenção e no controle do câncer.
“A atividade física está associada à promoção do bem-estar físico, emocional e social, podendo reduzir entre 25% e 33% o risco de depressão e ansiedade durante o tratamento oncológico. Além disso, melhora a qualidade de vida em geral”, acrescenta a oncologista clínica Gisah Guilgen. Como os pacientes oncológicos que praticam atividade física se sentem melhor e mais bem dispostos, ocorre um efeito direto na melhora do humor, do sono e especialmente da fadiga relacionada ao tratamento do câncer. Ademais, a atividade reduz consideravelmente alguns sintomas, como a dor.
A médica Gisah Guilgen é uma das autoras do guia Recomendações de atividade física durante e após o tratamento oncológico, elaborado pela SBOC em parceria com a Sociedade Brasileira de Atividade Física e Saúde (SBAFS) e com o Instituto Nacional de Câncer (INCA). Entretanto, para quem está em tratamento é recomendável consultar o médico para verificar se existe alguma restrição ou cuidado adicional, antes de começar a fazer atividade física.
“O ideal para o paciente oncológico é realizar atividade física monitorada por um educador físico. Entretanto, se não for possível, é melhor fazer atividade física sozinho do que não fazer nada”, enfatiza. Em relação ao tipo de exercício, é interessante associar atividade aeróbica com exercícios de força e resistência, como musculação ou pilates, priorizando a atividade que goste e que se sinta mais confortável.
Sob orientação
Para a população em geral, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda de 150 a 300 minutos de atividade moderada por semana. Para o paciente oncológico, cada caso deve ser avaliado pela equipe médica responsável – se liberada a prática. Entretanto, o guia recomenda 150 minutos semanais na intensidade moderada ou 75 minutos semanais na intensidade vigorosa.
A oncologista Gisah Guilgen cita um estudo prospectivo recente que avaliou mais de 10 mil pacientes que tiveram câncer de mama entre 2012 a 2018. “O resultado demonstrou que existe uma relação de quanto maior a prática de atividade física por semana, menor é o risco de recorrência da doença ao longo da vida”, relata. O estudo foi publicado na revista Breast Cancer.