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Doença neurológica crônica

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Esclerose múltipla acomete 40 mil pessoas no Brasil

Escrito por: Fernanda Ortiz

A Esclerose Multipla (EM) é uma doença neurológica crônica, autoimune e desmielinizante que afeta o sistema nervoso central. Como consequência, causa sintomas como fadiga, fraqueza muscular, dificuldade para andar, desequilíbrio, alterações da sensibilidade e alterações visuais. De acordo com o Ministério da Saúde, a EM é uma das doenças mais comuns do sistema nervoso central, acometendo cerca de 2,8 milhões de pessoas no mundo. No Brasil, a estimativa é de 40 mil pessoas com a doença, com maior incidência entre mulheres jovens e brancas. A conscientização sobre essa doença neurológica crônica é fundamental, já que o diagnóstico precoce pode aumentar a eficácia do tratamento.

As causas para o desenvolvimento dessa doença inflamatória e autoimune envolvem predisposição genética e a combinação com fatores ambientais, a exemplo de infecções virais, baixos níveis de vitamina D, tabagismo e obesidade. “Nesta doença, as células do sistema imunológico atacam por engano uma proteína do sistema nervoso central chamada mielina, responsável pela agilidade da condução dos impulsos nervosos e que governam as funções motoras, sensitivas e cognitivas”, explica o médico neurologista Leonardo de Deus Silva, coordenador da área de Neurologia e Neurocirurgia do Vera Cruz Hospital, em Campinas (SP).

Sintomas

Com a mielina lesionada por esse quadro inflamatório, as funções coordenadas pelo cérebro, cerebelo, tronco encefálico e medula espinhal ficam comprometidas. Desta forma, surgem os sintomas típicos da doença. Segundo o especialista, a patologia evolui com episódios de piora – chamados surtos -, que ocorrem a partir do surgimento de um novo sintoma neurológico ou agravo significativo de um sintoma pré-existente, com duração mínima de 24 horas. “A forma clínica mais comum, que engloba 85% dos casos, é a surto-remissão, caracterizada pela ocorrência dos surtos, que podem durar dias ou semanas, e melhora após o tratamento (ou espontaneamente). Geralmente ocorre nos primeiros anos da doença com recuperação completa e sem sequelas”, descreve.

As outras formas da doença, de acordo com a prática clínica, são a Esclerose múltipla primária progressiva (EMPP), caracterizada por início lento e piora constante dos sintomas; Esclerose múltipla secundária progressiva (EMSP), descrita pela incapacidade progressiva que inclui mais surtos e nenhum período de remissão; e Esclerose múltipla progressiva recorrente (EMPR), tipo mais raro com declínio neurológico constante desde o início, com surtos agudos.

Diagnóstico

O diagnóstico precoce é crucial, pois o mecanismo inflamatório – sob o qual a maior parte das drogas atuam – está em maior evidência no início da doença. “Dessa forma, quanto antes for identificada, maior será a eficiência do tratamento”, avalia o neurologista.  Para o diagnóstico são considerados aspectos clínicos e exames de imagem associados à análise do líquor com pesquisa de marcadores específicos. A ressonância magnética de crânio e coluna (medula espinhal) é a principal ferramenta para diagnosticar as lesões desmielinizantes típicas da doença.

 

Embora não tenha cura, existem tratamentos muito eficientes que diminuem a ocorrência dos surtos e reduzem a progressão e o grau de incapacidade, melhorando a qualidade de vida dos pacientes. O tratamento farmacológico inclui corticosteroides para reduzir a intensidade dos surtos e imunossupressores e imunomoduladores que ajudam a espaçar os episódios de recorrência e o impacto negativo na qualidade de vida. “Atualmente, pacientes sob intervenção precoce e adequada podem e devem ter uma vida praticamente normal”, afirma o especialista.

Confira os sintomas

  • Alterações visuais, a exemplo de dor ocular, visão embaçada, borrada ou dupla
  • Alterações sensoriais, como formigamento, dormência, sensação de queimação, perdas de sensibilidade e força
  • Problemas de coordenação e equilíbrio
  • Dificuldade de controle da bexiga ou intestino
  • Distúrbios cognitivos como dificuldade de concentração, raciocínio e perda de memória
  • Alterações de humor
  • Ansiedade
  • Depressão

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