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Contaminação de poluentes ambientais

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Contaminação do leite humano pode impactar saúde dos bebês

Escrito por: Fernanda Ortiz

O leite materno é o alimento padrão ouro para as crianças no início da primeira infância. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o aleitamento exclusivo até os primeiros seis meses de vida protege contra doenças e proporciona melhor desenvolvimento e crescimento. Entretanto, um estudo conduzido por pesquisadores do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB- USP) mostrou que a contaminação de poluentes ambientais de quem amamenta pode estar associada ao atraso do desenvolvimento da linguagem dos bebês.

Para investigar a influência da contaminação de poluentes ambientais presentes na água, no ar ou nos alimentos, os pesquisadores mediram e examinaram os níveis de metais no leite materno. Além disso, investigaram sua associação com o desenvolvimento da linguagem infantil durante os primeiros dois anos de vida. Um total de 185 amostras de mulheres e seus respectivos bebês, que vivem na cidade de São Paulo, compuseram o estudo. As amostras foram analisadas para arsênio (As), chumbo (Pb), mercúrio (Hg) e cádmio (Cd). Na sequência, foi aplicada a escala Bayley nos bebês para avaliar marcos do desenvolvimento infantil.

Achados 

As análises indicaram que aproximadamente um terço das amostras de leite humano tinham níveis detectáveis ​​de chumbo, arsênio e mercúrio, mas não de cádmio. Entretanto, as trajetórias de linguagem mais baixas foram mais evidentes nos bebês expostos ao chumbo, quando comparado àqueles sem essa exposição. “Os bebês são particularmente vulneráveis ​​à absorção de metais, pois a barreira intestinal é imatura e a permeabilidade desses elementos pode ser aumentada”, comentam os autores.

A imaturidade de outros órgãos e sistemas também contribui para maior toxicidade durante a infância. Além disso, o cérebro tem maior probabilidade de ser afetado pelo chumbo, uma vez que a neurotoxicidade ocorre por meio de múltiplos mecanismos. De acordo com os autores, a contaminação de poluentes ambientais pelo chumbo pode alterar a liberação dos neurotransmissores na fenda sináptica como acetilcolina, GABA [ácido gama-aminobutírico] e glutamato, levando a um declínio na habilidade linguística e de cognição.

Os achados são importantes e revelam que o monitoramento de poluentes ambientais em amostras humanas é fundamental para a saúde, especialmente nas populações mais vulneráveis. “Nossos resultados podem, portanto, fornecer evidências científicas para a formulação de políticas públicas eficazes que visam proteger a saúde de todos”, afirmam os autores. Entretanto, novos estudos são necessários para determinar se a associação entre a exposição ao chumbo e os déficits do neurodesenvolvimento no início da vida causam prejuízos em longo prazo. O artigo ‘Lead contamination in human milk affects infants’ language trajectory: results from a prospective cohort study’ foi publicado, em agosto de 2024, na revista Frontiers.

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